Por onde começar a ler Asimov!
Publicado em: 31/12/2025 16:57Escritor de grandes obras, como Eu, Robô, ou da trilogia declarada a mais importante da literatura de ficção, Fundação, Isaac Asimov é um escritor russo com nacionalidade estadunidense célebre por obras Sci-Fi e periódicos científicos, e junto com William Moulton Marston, criador de conceitos do que viria a ser o polígrafo e da personagem da DC Comics Mulher Maravilha, foi um dos cientistas atuantes em suas respectivas áreas e que lançaram personagens e obras que transcenderam suas respectivas épocas. O Bom Doutor, como era conhecido, escreveu diversas obras ao decorrer de sua vida, até chegar em um ponto em que imaginou, e se todas minhas histórias se passassem em um universo compartilhado? Adequando posteriormente suas obras e contos mais antigos para se adequar ao novo mundo, Asimov criou um dos universos mais prolíficos da ficção, desde o universo Marvel criado nos anos 60 pela trinca da editora, Stanley Lieber, Jack Kirby e Steve Ditko. Mas afinal, qual seria a porta de entrada para o universo em que a Fundação e o Império galáctico teve suas rusgas, em que Seldon traçou seu plano para tirar a humanidade de uma era de sombras, ou que tramas periféricas, mas não de menor qualidade, foram boladas como metáforas de um futuro distante porém bastante verossímil como em Pedra no Céu?
Vale dizer que as obras de Asimov em um todo podem ser divididas em duas vertentes, a trama investigativa que envolve os robôs, como visto em Cavernas de Aço e afins, e os da trama galáctica, como a própria trilogia principal da Fundação e a coletânea subsequente, com seus mais cinco livros. Para quem só se interessar pela trama investigativa, o que falarei logo adiante não tem tanta utilidade, mas para quem quer consumir a trilogia fundamental de Asimov, a Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação, começaria...
Não pela Fundação. O melhor livro de Asimov para se conhecer o lúdico e empolgante universo criado por ele é O Fim da Eternidade. A princípio pode se parecer apenas mais uma história prequel, que não faz parte do cerne do enredo proposto sobre a derrocada do império Romano espacial. Mas logo ademais desenvolverei argumentos, que defendem essa ideia, de que O Fim da Eternidade é a melhor porta de entrada...
O Fim da Eternidade nos apresenta o técnico Harlan, um sujeito recluso de poucos amigos de uma classe de seres que controlam e monitoram o avanço da humanidade pelos tempos futuros, os chamados Eternos. E eles fazem todas essa rotinas dentro da Eternidade, uma localização fora do espaço-tempo, onde a passagem do tempo se difere da física terrena. A trama se desenvolve através de Harlan, que através de sua relação com uma Tempista, termo para os seres humanos de alguma época sujeitos a passagem normal do tempo, chamada Noys Lambet, é posto a prova seus princípios antes inflexíveis e irrefutáveis.
Quando chegamos ao final da obra, Harlan é posto a prova, dar um fim a Eternidade ou retornar ao confortável e seguro status quo em que já estava acostumado? Em uma rápida introspecção Harlan retorna a suas lembranças dos próprios Eternos, seres amargurados, que tiveram que dar cabo de importantes tecnologias, como as naves espaciais, para o bem do futuro da humanidade, que no final da trama se provou uma faca de dois gumes, pois com o inevitável esgotamento do planeta, impedido a tanto tempo pelos Eternos, os humanos se viram presos em seu planeta pela total colonização do espaço por outras espécies. E como uma ótima metáfora, depois da escolha de Harlan de alterar a realidade que já conhecia por uma totalmente nova, acaba com uma frase muito importante, esse é o fim da Eternidade e o começo da Infinidade.
Dessa forma, não entrando aos méritos filosóficos que Asimov expos de forma tão primal, O Fim da Eternidade pode ser o gatilho que originou e possibilitou todas as obras futuras e Asimov, e a infinidade desenvolvida na trilogia Fundação e sua sequência. Dessa forma, inevitavelmente, O Fim da Eternidade é um ótimo ponto de partida para as futuras obras de Isaac Asimov, e além da trama ser a precursora de obras futuras e importantes de Asimov que o consagraram como um dos melhores escritores de Sci-Fi, é um ótimo exemplar da qualidade e genialidade do enredo que só um Bom Doutor poderia conceber...
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